Sobre

Pesquisa/produção de Kate Manhães

Conduzida pelo pelo recorte atemporal, a impossibilidade da paisagem é uma das questões levantada pela obra de Kate Manhães. Entendendo que o espaço é algo que se sucede, movimentando-se de forma permanente e que, sua complexidade provem do conjunto de relações  concebidas ao longo dos tempos,  em seu trabalho a figura do corpo e o espaço se misturam ao mesmo que, se fragmentam. Apossando-se do sentido do tempo veloz presente nas relações que estabelecem o mundo contemporâneo, sua produção busca gerar uma visão  cerceada onde o individuo se orienta através da intencionalidade de pertencer a uma paisagem inexistente.

O conceito de extensão que é qualificado na nocão de perspectiva, profundidade e terceira dimensão, é uma ideia que alcança o carater de hierarquia pictórica, onde o artista por meio de vários feixes de visão define um horizonte apenas. Hoje, pelas inadequações do relacionamento entre o homem, tempo e espaço, permeados pelos dispositivos eletrônicos e a impossibilidade de visão de mundo de forma coletiva, a artista entende que o exercício de definição do que poderia ser a paisagem dentro da contemporaneidade se dá de forma individual e identitária.

Assim, a pesquisa que envolve esse trabalho é a problematização do espaço e do corpo em sua representação, construindo e dissipando ao mesmo tempo qualquer possibilidade de ordem pictórica. Desta forma, em tempos onde tudo se edita, gerando um miscelânea ininterrupta, o corpo se propõe a ser uma ferramenta de resistência, pois se a velocidade externa, aquela pertencente ao mundo, dirige-se de forma incontrolável, o corpo, em contraponto, impossibilitado de acompanhar, torna-se a paisagem.

Técnica

Óleo e tinta acrílica sobre tela.

Ano

2017-2018